O Eros da realidade começa com o toque


Oi! Como foram os dias de folia por aí? Se você aproveitou a festa, provavelmente sua pele tem muita história para contar: abraços, esbarrões, calor e suor, água e frescor, muita fantasia ou pouca roupa, maquiagem, confetes… Confesso que eu mesma não estava animada para o carnaval e aproveitei os dias livres para ficar mais recolhida. Entre descanso e atividades tive momentos de leitura, jardinagem, passeios curtos e mergulho na piscina do condomínio. Em um dos dias mais quentes, fiquei na água até os dedos das mãos enrugarem e, como eu tinha tempo, comecei a questionar o porquê daquele fenômeno.
E aí, a resposta veio pelo Google: o nosso sistema nervoso controla o enrugamento da pele em contato com a água através do nervo mediano e faz isso restringindo a circulação sanguínea nas pontas dos dedos, diminuindo o volume da pele e a distorcendo. Se, por exemplo, você tivesse alguma lesão naquele nervo, seus dedos permaneceriam lisinhos. O mais interessante é que o nosso sistema nervoso não faz nada à toa e a vantagem que esse processo nos dá é a de agarrar objetos e superfícies molhadas com mais eficiência. Isso foi moldado pela co-evolução dos nossos antepassados com a água, quando precisavam de apoio e equilíbrio ao caminhar por ambientes úmidos.
Tudo isso me fez lembrar do capítulo chamado “Toque” no livro do Andreas Weber. Há um trecho em que ele diz:
“Repetidamente, a água me mostrou: o Eros da realidade começa com o toque. Não há vida sem contato. Sem o toque, não há desejo, não há satisfação — e não há mente. Quando uma onda de luz altera a estrutura da minha retina, quando acaricio a pele da minha amada ou quando uma célula nervosa envia um impulso elétrico ao liberar íons de cálcio, isso é sempre um ato de ataque físico. Um ataque físico, não diferente das águas correntes que agitam e arrastam as pedras rolantes umas contra as outras”.
Pois é. A gente se entrega ao relaxamento nas águas e nem percebe que a pele e os sentidos estão respondendo à um ataque!

Quando o "Eu" encontra um "objeto"
A vida começa pelo toque, pelo contato, pelo ataque físico. O Buda mesmo explicou esse princípio há mais de 2500 anos atrás, no ensinamento de pratītya-samutpāda, a originação dependente. Esse ensinamento explica como a vida surge a partir de uma sequência de causas e condições, os 12 elos, e não de forma isolada e independente. O sexto dos 12 elos da originação dependente é sparsha, um termo sânscrito que pode significar “contato”, “toque” ou “sensação”. Sparsha descreve o contato dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato e mente) com um objeto. Se pensarmos nos 12 elos como uma peça de teatro, é como se os cinco primeiros fossem a montagem do roteiro, dos personagens, do palco e do elenco para que aí sim, a peça comece a partir de sparsha.
Quando um órgão do sentido encontra um objeto, surge a consciência desse objeto e o contato acontece. Como exemplo, imagine seus olhos encontrando uma árvore pela primeira vez. Antes o conceito “árvore” não existia na sua mente, mas agora você pode experimentar esse objeto com os sentidos e expressar algo sobre ele. Surge uma sensação e, se ela for agradável, surge o desejo. É assim que, inevitavelmente, nos tornamos abraçadores de árvores!
Para Weber, o desejo - Eros, é:
“...o princípio da plenitude criativa, o princípio da superfluidade, da partilha, da comunicação, da auto-realização que permanece adormecida mesmo nas rochas e nos minerais — a auto-realização que, por mais dolorosa que seja, não pode ser evitada se quisermos permanecer em contato com a realidade deste mundo”.
Em "Matéria e Desejo", somos convidados a reanimar o mundo natural e a ver o desejo em cada interação - na união dos átomos, no caminho das águas de um rio, no voo das andorinhas. Somos convidados a entrar em contato com as nossas emoções mais profundas por esse mundo e praticar uma visão que nos abre para agir, não pelo desespero, raiva ou culpa, mas pelo encantamento.
O que tem no livro?
O livro está dividido em três partes e nove capítulos, que vamos contemplar de março a dezembro:
Parte I: Eu
1. Toque: Explora a conexão fundamental, física e íntima entre os seres vivos e seu ambiente.
2. Desejo: Define a vida como impulsionada por um anseio por conexão e autotransformação.
3. Morte: Enquadra a morte como um componente necessário do ciclo ecológico de troca.
Parte II: Você
4. Transformação: Discute como os organismos vivos mudam constantemente por meio de interações com outros, criando uma existência compartilhada.
5. Abraço: Concentra-se no ato de entrelaçamento e dependência mútua dentro dos ecossistemas.
6. Um jogo de liberdade: Explora como essa conexão erótica permite uma autêntica “selvageria” e espontaneidade.
Parte III: Nós
7. O pensamento do meio-dia do sul: Examina a totalidade e a presença da vida ecológica.
8. Compartilhamento: Enfatiza a natureza recíproca da existência — que a vida é sobre "dar e receber", não apenas competição.
9. Os céus, agora: Conclui com uma visão de uma “ecologia poética” que reconhece a sacralidade e a vitalidade do mundo.
Se você ainda não se inscreveu para este ciclo de estudo e prática online que começa na próxima semana, dia 04, às 19h, não se demore mais! Clica no botão abaixo:
O nosso desejo é que você encontre um espaço de acolhimento e de expressão mútua para estar radicalmente presente para esta Terra viva.
Com carinho e amor,
Bruna Buch
Inscrições abertas: Imersão Presencial no TQR !
De 18 a 21 de abril, na Fazenda Serrinha, Bragança Paulista (SP).
Aproveite o valor promocional até 07 de março!
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Sobre essa newsletter
Esse texto faz parte do Radicalmente Presente, que nós (Bruna e Lia) decidimos definir como “uma resposta ao som estranho do nosso mundo” (leia mais aqui em nosso manifesto). Nós escolhemos o email como canal para comunicar o que vier em nosso coração (e abdicamos com alívio do frenesi das redes sociais). Nossa intenção é trazer reflexões e histórias na intenção de nos ajudar a navegar com mais compreensão - ou seja, mais amor - em nosso mundo em transformação. Nosso ritmo vai ser gentil: dois emails por mês. Vem, que vai ser gostoso.
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